Amsterdam, 14 de dezembro de 2006
Eu tinha combinado por telefone com um treinador de uma equipe amadora de futebol pra eu ir fazer um teste ontem. Estava acordado que eu treinaria com e equipe B do clube. A equipe A joga pela terceira divisão amadora da Holanda, se pensarmos que só há duas divisões profissionais, a equipe disputa na verdade a quinta divisão nacional.
Pelo que eu tinha percebido, a principal função da equipe B é manter os caras treinando pra, quando necessário, fornecer alguns jogadores pra ficar no banco de reservas da equipe A.
Bem, pra mim que nos ulimos 7 meses quase nem tinha visto a cor da bola seria uma melhor opção treinar com uma equipe mais fraca mesmo.
Cheguei um pouco mais cedo no clube que o horário combinado com o treinador. Pra chegar lá eu tenho que pedalar uns 35 minutos e me dei algum tempo de reserva caso me perdesse pelo caminho. Ainda não havia quase ninguém no clube e pedi pra uma senhora que trabalha no bar do clube pra me avisar quando o treinador chegasse.
Foram chegando os jogadores, muitos por sinal. Para quê tanta gente treinando na equipe B?! Mas bem... era um pouco estranho, pois alguns tinham “cara” de quem sabia jogar e outros me pareciam bem pernas de pau. Apesar desta análise ser bem precipitada ela até que funciona algumas vezes. Eu pensava: “caramba, deve ser um grupo bastante heterogêneo e isso não é muito bom pro treino. Mas vou me empenhar aqui, pois voltar pra loucura dos dois toques do outro clube eu não quero”.
Quase na hora de começar o treino, ainda não tinha visto o treinador, os jogadores foram pro vestiário. Falei pra um deles que tinha combinado de treinar mas ainda não tinha visto o treinador pra saber se estava tudo certo, aí ele falou que se estava combinado não tinha problema de eu me trocar e falar com ele depois.
Ao chegar ao vestiário vi duas salas. Entrei logo na primeira, me apresentei, disse que ia “fazer um teste” e comecei a me trocar. Nestas horas ser brasileiro é sempre um bom cartão de visitas. Ao sair do vestiário consegui, finalmente, falar com o treinador que se limitou a dizer pra eu ir pro campo que lá conversávamos.
No campo, tinham dois grupos de jogadores jogando bobinho. Fui logo ao primeiro e pedi pra jogar... lógico que fui pro bobo, mas fui bem recebido.
No meio do jogo, vejo o treinador passando atrás de mim, se dirigindo pro outro grupo e logo começando um aquecimento. Uma das pessoas que estava jogando bobinho do meu grupo parou a brincadeira e puxou o aquecimento. Pensei: “este deve ser um auxiliar, vamos começar o treino separados e depois do aquecimento eu falo com o treinador.”
Durante o aquecimento, que já estava um pouco pesado pra mim, conversava com um dos jogadores quando perguntei qual o nível daquela equipe. O rapaz ia dizendo que era bom, que os jogadores eram boas pessoas, por isso era gostoso de se treinar e jogar com o grupo e que a equipe jogava pela “Tweede Klasse” (referente à quinta divisão nacional). Ai eu perguntei: “Ué! Mas não é que equipe A que joga na Tweede Klaase?”:
- Claro! Esta é a equipe A. Aquela com o treinador Carlos (o que tinha combinado comigo de eu fazer um teste na equipe B) é a equipe B.
Caracas... sete meses sem praticamente jogar e venho logo parar aqui na equipe A. Não que eu achava que não teria nível, mas fisicamente havia uma grande chance de desastre!
Falei com o treinador que eu não tinha percebido que aquela era a equipe A e que tinha combinado com o treinador Carlos de treinar na equipe B. Ele disse que não tinha problema e que eu treinaria mesmo com eles. Como já falei, neste ponto, ser brasileiro é um bom cartão de visitas.
Bem, já que estava na chuva, o negócio era me molhar!!!! Meu coração as vezes vinha na minha boca, mas até que fisicamente não decepcionei. Fiz ainda um belo gol e no final ficou acertado pra eu voltar no próximo treino.
Quando voltei pro vestiário, percebi que todos equeles que tinham treinado comigo, ou seja, que eram da equipe A estavam no mesmo vestiário que eu, ou melhor, que eu estava no vestiário deles.
Fiquei pensando o que aconteceria no Brasil se um jogador desconhecido chega pra treinar num clube, onde há divisão entre as equipes A e B, já entra logo no vestiário da equipe A, depois se convida pra fazer parte da roda de bobos da equipe A e ainda vai treinar... nesta hora, foi melhor não estar no Brasil, pois além de minhas muitas dores musculares, teria também, com certeza, minhas canelas, meus tornozelos e possivelmente algo mais, no mínimo, doloridos! Hahahah
No final das contas... As vezes é bom não pereber as coisas direito... já que, por isto, pulei a etapa de treinar com os pangarés e fui direto pro time principal! Haha
Nesta vida não tenho muitas conquistas materiais, porém as histórias são diversas. Quem eu seria sem minhas histórias? Não seria eu.
domingo, 9 de março de 2008
Um pelado na cozinha
Amsterdam,13 de dezembro de 2006
Por aqui as coisas vão bem... o processo de meu visto de residência continua andando, ou melhor, engatinhando. Enquanto isso vou levando a vida da melhor maneira possível e continuando a buscar meios pra que ao receber a autoriazação pra trabalhar eu possa me inserir o mais rápido possível no mercado de trabalho.
No outro email disse que iria passar um final de semana numa cidade litorânea com a família toda da Susanne. Foi bem legal. Deu pra se divertir bastante. O tempo estava uma merda! (ops!! Desculpem a maneira grosseira, mas é o único adjetivo possível pra descrever o tempo que mesmo pro outono holandês estava um bocado ruim). Como o tempo por aqui constantemente desagrada a todo mundo, a “vida dentro” (dentro de casa, bares, cafés...) é muito valorizada e as pessoas por aqui fazem de tudo pra que o clima ruim não seja melancólico, como sempre acontece nos finais de semana com chuva na praia aí no Brasil. Confesso que ainda é um pouco difícil pra mim não relacionar os jogos de tabuleiro, ou mesmo de cartas que são muito comuns por aqui em reuniões de família, ou mesmo no dia a dia de casa, com nossas “animadas” partidas de dominó ralizadas nos dias de chuva de praia. Mas vou me acostumando.
Pra efeito de comparação, muitas cidades litorâneas brasileiras têm centros marinhos especializados em tratar de animais da região. Por aí sempre visitei centros que tratavam de tartaruga ou peixe boi. Eu aproveitei o final de semana pra visitar um centro que cuida de especialmente de focas que aparecem na região. Haha..
Umas das coisas que aprendi em meu período em Portugal, foi aceitar as diferenças existentes entre as culturas e respeitar estas diferenças. Não que pra isso eu tenha que fazer aquilo com que não concordo.
Umas das coisas que sempre me deixaram um pouco incomodado por aqui é o fato das irmãs da Susanne não teremo menor pudor em ficar peladas na minha frente! Não... não vim para numa família de naturistas, ou pessoas que andam peladas pela casa. Mas se algumas delas resolver trocar de roupa e eu estiver por perto... no começo eu não sabia o que fazer, pra onde olhar. Mas depois que uma delas, pelada, resolveu vir falar comigo e com o namorado dela eu decidi que iria tentar não ficar constrangido quando isso voltasse a acontecer. Haha
Por falar em pelados, outro dia estava aproveitando uma noite gostosa com a Susanne pelas ruas de Amsterdam (quando falo de noite gostosa de outono me refiro a uma noite sem chuva com temperatura em torno de 8 graus aha). Passávamos por diversar daquelas casas barco, daquelas que a menina da novela das oito morava enquanto vivia aqui na Holanda (olha... nenhum estudante, seja ele brasileiro ou holandês, tem condição de pagar o aluguel de uma casa como aquela!). Em uma delas, que tinha uma grande janela na cozinha, a luz estava acesa e dentro tinha um holandês de uns dois metros de altura, peladão, coçando a bunda! hahahah Pois é... temos que aceitar a loucura!
Daqui a pouco vou treinar num outro clube amador de futebol aqui de Amsterdam, estou até feliz com o tempo de hoje, se bem que me lembro de reclamar e muito ao treinar em dias mais quentes que este quando estava no Brasil, haha. O treinador deste time é um chileno, espero que ele seja um pouco diferente dos treinadores holandeses apaixonados pelo treino em dois toques.
Vamos ver como vou me sair... se for bem vou começar a treinar por lá constantemente e quem sabe possa até disputar os campeonatos amadores por aqui... seria gostoso voltar a jogar. Seria bom também conhecer mais gente, falar mais holandês, entre outros.
Bem, vou indo por aqui!
Por aqui as coisas vão bem... o processo de meu visto de residência continua andando, ou melhor, engatinhando. Enquanto isso vou levando a vida da melhor maneira possível e continuando a buscar meios pra que ao receber a autoriazação pra trabalhar eu possa me inserir o mais rápido possível no mercado de trabalho.
No outro email disse que iria passar um final de semana numa cidade litorânea com a família toda da Susanne. Foi bem legal. Deu pra se divertir bastante. O tempo estava uma merda! (ops!! Desculpem a maneira grosseira, mas é o único adjetivo possível pra descrever o tempo que mesmo pro outono holandês estava um bocado ruim). Como o tempo por aqui constantemente desagrada a todo mundo, a “vida dentro” (dentro de casa, bares, cafés...) é muito valorizada e as pessoas por aqui fazem de tudo pra que o clima ruim não seja melancólico, como sempre acontece nos finais de semana com chuva na praia aí no Brasil. Confesso que ainda é um pouco difícil pra mim não relacionar os jogos de tabuleiro, ou mesmo de cartas que são muito comuns por aqui em reuniões de família, ou mesmo no dia a dia de casa, com nossas “animadas” partidas de dominó ralizadas nos dias de chuva de praia. Mas vou me acostumando.
Pra efeito de comparação, muitas cidades litorâneas brasileiras têm centros marinhos especializados em tratar de animais da região. Por aí sempre visitei centros que tratavam de tartaruga ou peixe boi. Eu aproveitei o final de semana pra visitar um centro que cuida de especialmente de focas que aparecem na região. Haha..
Umas das coisas que aprendi em meu período em Portugal, foi aceitar as diferenças existentes entre as culturas e respeitar estas diferenças. Não que pra isso eu tenha que fazer aquilo com que não concordo.
Umas das coisas que sempre me deixaram um pouco incomodado por aqui é o fato das irmãs da Susanne não teremo menor pudor em ficar peladas na minha frente! Não... não vim para numa família de naturistas, ou pessoas que andam peladas pela casa. Mas se algumas delas resolver trocar de roupa e eu estiver por perto... no começo eu não sabia o que fazer, pra onde olhar. Mas depois que uma delas, pelada, resolveu vir falar comigo e com o namorado dela eu decidi que iria tentar não ficar constrangido quando isso voltasse a acontecer. Haha
Por falar em pelados, outro dia estava aproveitando uma noite gostosa com a Susanne pelas ruas de Amsterdam (quando falo de noite gostosa de outono me refiro a uma noite sem chuva com temperatura em torno de 8 graus aha). Passávamos por diversar daquelas casas barco, daquelas que a menina da novela das oito morava enquanto vivia aqui na Holanda (olha... nenhum estudante, seja ele brasileiro ou holandês, tem condição de pagar o aluguel de uma casa como aquela!). Em uma delas, que tinha uma grande janela na cozinha, a luz estava acesa e dentro tinha um holandês de uns dois metros de altura, peladão, coçando a bunda! hahahah Pois é... temos que aceitar a loucura!
Daqui a pouco vou treinar num outro clube amador de futebol aqui de Amsterdam, estou até feliz com o tempo de hoje, se bem que me lembro de reclamar e muito ao treinar em dias mais quentes que este quando estava no Brasil, haha. O treinador deste time é um chileno, espero que ele seja um pouco diferente dos treinadores holandeses apaixonados pelo treino em dois toques.
Vamos ver como vou me sair... se for bem vou começar a treinar por lá constantemente e quem sabe possa até disputar os campeonatos amadores por aqui... seria gostoso voltar a jogar. Seria bom também conhecer mais gente, falar mais holandês, entre outros.
Bem, vou indo por aqui!
A chegada
Amsterdam, 01 de dezembro de
Por aqui tudo certo... já faz quase uma semana que eu cheguei e as vezes é difícil de acreditar que semana passada ainda estava no Brasil. Agora parece que os meses que estive aí passaram num piscar de olhos. Isso até soa estranho, pois enquanto estive aí estes sete meses foram sete intermináveis meses.
Nos meus primeiros meses aqui não poderei fazer muita coisa, eu sou impedido de trabalhar e mesmo de participar do curso de integração para os estrangeiros recém chegados enquanto o processo do meu visto não tiver terminado. Isso costuma durar de 2 a 6 meses. Enquanto isso minha principal atividade é ser: "Dono de Casa"!! haha... quem diria, estudou tanto pra acabar virando um profissional doméstico!!!
Mas isso é temporário... e pra ter a oportunidade de mudar isso rapidamente quando eu tiver autorização pra trabalhar venho preparando algum terreno.
Estou reestabelecendo meus contatos por aqui... já falei com o clube clube onde estagiei... e esta semana fui a universidade de Amsterdam. tinha o interesse em conhecer a universidade, falar com professores, me apresentar, estas coisas.
Pra economizar, peguei a bicicleta e pedalei por 40 minutos até a universidade, por sorte nem estava tão frio (entre 8 e 10graus) e nem chovia. Depois de chegar lá, bem suado pra falar a verdade! é uma sensação estranha mas pedalar com casaco nos faz suar muito depois de algum tempo, mas não impede que nossas mão fiquem bem geladas. Tá certo, um par de luvas ajudaria bastante. Mas tenho que aproveitar que não está muito frio pra ir me preparando pro que vem pela frente. No inverno mesmo, não adianta usar luvas não. Pois elas se molham com a chuva ou a neve e aí as mãos congelam de qualquer maneira. haha
bem... chegando lá fui a recepção e contei sobre meus desejos. Ligaram pra alguém... logo depois eu recebo o telefone e conto a mesma história. Aí eu ouço: "será melhor se você escreva pra gente e assim, possivelmente, marcamos um encontro" ahaha aí foram mais quase uma hora de suadeira e mãos geladas.
Foi uma hora pois me permiti me perder pelas ruas de Amsterdam. Nos perder por alguma cidade é sempre o melhor caminho pra a conhecermos melhor. E se perder por Amsterdam é dos passeios mais agradáveis que existem. Vocês podem ter certeza que se um dia puderem me visitar terei o maior prazer em me perder com vocês por aqui.
Pra poder conhecer mais pessoas, aumentar o círculo de amizades e me divertir um pouco, pensei ser uma boa idéia fazer parte de algum time amador de futebol da cidade. Ontem fui ao primeiro. O treinador é um velho senhor bem boa gente. Que me deixou treinar prontamente ao ouvir que vinha do Brasil.
O treino durou uma hora e meia. Por mais de uma hora ficamos jogando, num campo de dimensões um pouco reduzidas um jogo de 2 toques.
Primeiro, isso é intenso pra caramba!! ficar mais de hora jogando assim quase mata alguém que já não jogava há algum tempo. Ainda mais quando se fica no time reserva e a diferená entre os dois times é absurda! Corri como um louco!!!! A vantagem é que podia xingar toda hora que alguém da minha equipe fazia besteira! haha
Depois do treino o velho senhor veio falar comigo. eu estava cansado pra caramba e um pouco frustrado também... mais de uma hora jogando apenas dois toques nunca tinha me acontecido!
Ele me disse que tenho qualidade, que poderia voltar a treinar lá se quiser e me perguntou o que tinha achado. Hahah... não podia falar que era frustrante ficar mais de uma hora jogando dois toques, por isso me limitei a dizer que tinha sido bastante diferente de minhas experiências no Brasil. Aí ouvi: "Brazilie heeft de beter spellers maar dit is voetbal!" Traduzindo: O Brasil tem os melhor jogadores mas isso aqui (os dois toques) é que é futebol! hahahah na minha cara eu tive que concordar com ele mas minha cabeça pesava: "se isso, dois toques, é futebol deveríamos incluir a regra dos dois toques no jogo: quem der 3 toques consecutivos na bola é punido com cartão amarelo!!! hahah
Ontem mesmo ou ouvi de um colega da Susanne sobre um clube amador que tem um treinador chileno... acho que vou tentar lá... quem sabe seja lá a regra dos dois toques não seja menos rígida! haha
Hj vou viajar com a família da Susanne... vamos ao litoral. Vai ser gostoso, mesmo com o clima não muito favorável (máxima 8 graus e grande possibilidade de chover no final de semana), tenho certeza que vai dar pra se divertir um bocado.
PS: já ouvi pessoas dizerem que não me mandarão um cartão de natal pois a rua de casa é muito complicada... vamos fazer um jogo então. Se alguém me mandar um cartão de natal com um video soletrando (sem ler) e pronunciando de maneira correta Faculdade de Educação Física em Holandes eu ajudarei com a passagem pra vir me visitar! Hahah vai aí a palavrinha: BEWEGINGSWETENSCHAPPEN
Por aqui tudo certo... já faz quase uma semana que eu cheguei e as vezes é difícil de acreditar que semana passada ainda estava no Brasil. Agora parece que os meses que estive aí passaram num piscar de olhos. Isso até soa estranho, pois enquanto estive aí estes sete meses foram sete intermináveis meses.
Nos meus primeiros meses aqui não poderei fazer muita coisa, eu sou impedido de trabalhar e mesmo de participar do curso de integração para os estrangeiros recém chegados enquanto o processo do meu visto não tiver terminado. Isso costuma durar de 2 a 6 meses. Enquanto isso minha principal atividade é ser: "Dono de Casa"!! haha... quem diria, estudou tanto pra acabar virando um profissional doméstico!!!
Mas isso é temporário... e pra ter a oportunidade de mudar isso rapidamente quando eu tiver autorização pra trabalhar venho preparando algum terreno.
Estou reestabelecendo meus contatos por aqui... já falei com o clube clube onde estagiei... e esta semana fui a universidade de Amsterdam. tinha o interesse em conhecer a universidade, falar com professores, me apresentar, estas coisas.
Pra economizar, peguei a bicicleta e pedalei por 40 minutos até a universidade, por sorte nem estava tão frio (entre 8 e 10graus) e nem chovia. Depois de chegar lá, bem suado pra falar a verdade! é uma sensação estranha mas pedalar com casaco nos faz suar muito depois de algum tempo, mas não impede que nossas mão fiquem bem geladas. Tá certo, um par de luvas ajudaria bastante. Mas tenho que aproveitar que não está muito frio pra ir me preparando pro que vem pela frente. No inverno mesmo, não adianta usar luvas não. Pois elas se molham com a chuva ou a neve e aí as mãos congelam de qualquer maneira. haha
bem... chegando lá fui a recepção e contei sobre meus desejos. Ligaram pra alguém... logo depois eu recebo o telefone e conto a mesma história. Aí eu ouço: "será melhor se você escreva pra gente e assim, possivelmente, marcamos um encontro" ahaha aí foram mais quase uma hora de suadeira e mãos geladas.
Foi uma hora pois me permiti me perder pelas ruas de Amsterdam. Nos perder por alguma cidade é sempre o melhor caminho pra a conhecermos melhor. E se perder por Amsterdam é dos passeios mais agradáveis que existem. Vocês podem ter certeza que se um dia puderem me visitar terei o maior prazer em me perder com vocês por aqui.
Pra poder conhecer mais pessoas, aumentar o círculo de amizades e me divertir um pouco, pensei ser uma boa idéia fazer parte de algum time amador de futebol da cidade. Ontem fui ao primeiro. O treinador é um velho senhor bem boa gente. Que me deixou treinar prontamente ao ouvir que vinha do Brasil.
O treino durou uma hora e meia. Por mais de uma hora ficamos jogando, num campo de dimensões um pouco reduzidas um jogo de 2 toques.
Primeiro, isso é intenso pra caramba!! ficar mais de hora jogando assim quase mata alguém que já não jogava há algum tempo. Ainda mais quando se fica no time reserva e a diferená entre os dois times é absurda! Corri como um louco!!!! A vantagem é que podia xingar toda hora que alguém da minha equipe fazia besteira! haha
Depois do treino o velho senhor veio falar comigo. eu estava cansado pra caramba e um pouco frustrado também... mais de uma hora jogando apenas dois toques nunca tinha me acontecido!
Ele me disse que tenho qualidade, que poderia voltar a treinar lá se quiser e me perguntou o que tinha achado. Hahah... não podia falar que era frustrante ficar mais de uma hora jogando dois toques, por isso me limitei a dizer que tinha sido bastante diferente de minhas experiências no Brasil. Aí ouvi: "Brazilie heeft de beter spellers maar dit is voetbal!" Traduzindo: O Brasil tem os melhor jogadores mas isso aqui (os dois toques) é que é futebol! hahahah na minha cara eu tive que concordar com ele mas minha cabeça pesava: "se isso, dois toques, é futebol deveríamos incluir a regra dos dois toques no jogo: quem der 3 toques consecutivos na bola é punido com cartão amarelo!!! hahah
Ontem mesmo ou ouvi de um colega da Susanne sobre um clube amador que tem um treinador chileno... acho que vou tentar lá... quem sabe seja lá a regra dos dois toques não seja menos rígida! haha
Hj vou viajar com a família da Susanne... vamos ao litoral. Vai ser gostoso, mesmo com o clima não muito favorável (máxima 8 graus e grande possibilidade de chover no final de semana), tenho certeza que vai dar pra se divertir um bocado.
PS: já ouvi pessoas dizerem que não me mandarão um cartão de natal pois a rua de casa é muito complicada... vamos fazer um jogo então. Se alguém me mandar um cartão de natal com um video soletrando (sem ler) e pronunciando de maneira correta Faculdade de Educação Física em Holandes eu ajudarei com a passagem pra vir me visitar! Hahah vai aí a palavrinha: BEWEGINGSWETENSCHAPPEN
Despedida
São José dos Campos, novembro de 2006
Já foram muitas as vezes que eu tentei imaginar o que eu escreveria neste email... a cada vez que eu pensave nele eu tinha vontade de dizer uma coisa diferente. Mas a hora de escrever é agora, finalmente o momento que eu tão aguardava chegou!
Pra refrescar um pouco a memória, ou mesmo pra informar aqueles com quem não tenho contato a muito tempo, há cerca de 4 anos eu parti pra uma grande aventura em Portugal. Eu fui à busca de muito estudo e novas experiências de vida. Quando fui, tinha um plano bem delineado em minha cabeça. Mas, com o acontecimento das coisas muito de meus planos foram refeitos.
Minha temporada em Portugal me rendeu muito mais do que eu imaginava, lá eu encontrei alguém com quem dividir meus sonhos e batalhar por um futuro.
Pois bem, depois de muitas indas e vindas e de um longo processo na imigração holandesa, hoje eu recebo a notícia que eu tanto aguardava. Saiu meu visto... no próximo dia 24 embarco pra mais uma aventura, pra mim, a maior de todas! Vou viver com minha namorada, uma holandesa chamada Susanne.
Uma vez eu ouvi de um amigo que, em todas as suas peregrinações, ele sentia carregar consigo pessoas que foram importantes pra ele. Comigo acho que acontece o mesmo... vou largar muito pra trás mas sinto que ao mesmo tempo levarei muito comigo.
Na próxima terça feira (dia 21/11) eu estarei em São Paulo. Gostaria muito de poder reencontrar muitas pessoas... Estarei a partir do começo da noite no Rei das Batidas, pra quem não conhece, é um barzinho muito frequentado por estudantes da USP que fica na avenida de entrada da universidade, próximo ao cruzamento com a Vital Brasil.
Quanto mais pessoas conhecidas eu reencontrar (é engraçado, mas acho que encaro isto mais como um reencontro que como uma despedida) mais feliz eu ficarei. Quem não puder ficar muito tempo por lá que dê uma passada...
Um grande abraço a todos e que independentemente de reencontrar vocês nestes meus ultimos dias aqui no Brasil, torço pra que ainda possamos algum dia voltar a nos ver.
PS-1: quem não conseguir me encontrar nestes ultimos dias vai aí meu endereço... um cartão de natal seria muito bem vindo! Haha
Spaarndammerdyk 17 III
1013 ZM
Amsterdam - Holanda
PS-2: o convite pra uma visita à Amsterdam estará sempre aberto, mas olhem bem, vou viver em Amsterdam mas continuo o mesmo careta de sempre!
Já foram muitas as vezes que eu tentei imaginar o que eu escreveria neste email... a cada vez que eu pensave nele eu tinha vontade de dizer uma coisa diferente. Mas a hora de escrever é agora, finalmente o momento que eu tão aguardava chegou!
Pra refrescar um pouco a memória, ou mesmo pra informar aqueles com quem não tenho contato a muito tempo, há cerca de 4 anos eu parti pra uma grande aventura em Portugal. Eu fui à busca de muito estudo e novas experiências de vida. Quando fui, tinha um plano bem delineado em minha cabeça. Mas, com o acontecimento das coisas muito de meus planos foram refeitos.
Minha temporada em Portugal me rendeu muito mais do que eu imaginava, lá eu encontrei alguém com quem dividir meus sonhos e batalhar por um futuro.
Pois bem, depois de muitas indas e vindas e de um longo processo na imigração holandesa, hoje eu recebo a notícia que eu tanto aguardava. Saiu meu visto... no próximo dia 24 embarco pra mais uma aventura, pra mim, a maior de todas! Vou viver com minha namorada, uma holandesa chamada Susanne.
Uma vez eu ouvi de um amigo que, em todas as suas peregrinações, ele sentia carregar consigo pessoas que foram importantes pra ele. Comigo acho que acontece o mesmo... vou largar muito pra trás mas sinto que ao mesmo tempo levarei muito comigo.
Na próxima terça feira (dia 21/11) eu estarei em São Paulo. Gostaria muito de poder reencontrar muitas pessoas... Estarei a partir do começo da noite no Rei das Batidas, pra quem não conhece, é um barzinho muito frequentado por estudantes da USP que fica na avenida de entrada da universidade, próximo ao cruzamento com a Vital Brasil.
Quanto mais pessoas conhecidas eu reencontrar (é engraçado, mas acho que encaro isto mais como um reencontro que como uma despedida) mais feliz eu ficarei. Quem não puder ficar muito tempo por lá que dê uma passada...
Um grande abraço a todos e que independentemente de reencontrar vocês nestes meus ultimos dias aqui no Brasil, torço pra que ainda possamos algum dia voltar a nos ver.
PS-1: quem não conseguir me encontrar nestes ultimos dias vai aí meu endereço... um cartão de natal seria muito bem vindo! Haha
Spaarndammerdyk 17 III
1013 ZM
Amsterdam - Holanda
PS-2: o convite pra uma visita à Amsterdam estará sempre aberto, mas olhem bem, vou viver em Amsterdam mas continuo o mesmo careta de sempre!
Amstel Golden Race
Nijmegen, 18 de abril de 2006
Parece que já vai virando uma tradição. Foi mais uma páscoa que passei sobre uma bicicleta (na verdade neste ano aconteceu no sábado... mas faz parte do mesmo feriado).
Grande parte da familia da Susanne, inclusive o pai e a mãe, ia participar de uma corrida de bicicleta, a “Amstel Gold Race” (AGR), no sul da Holanda, região bastante distinta da Holanda por conter morros em seu relevo. Vale destacar que a “montanha” mais alta da Holanda fica por lá, e seu pico fica a incríveis 321m do nível do mar. A AGR parece que tem a mesma tradição da Corrida de São Silvestre aí no Brasil, neste ano foram 20.000 incritos que participaram de 5 diferentes trajetos: 100km; 125km; 150km; 200km e 250km. Um dos grandes atrativos da prova é a presença dos “Bergen” (morros), alguns deles bem temidos como o Keuteberg, que tem uns 200m de extensão com uma inclinação de 22% no início e vai diminuindo até 17% no final (acho que 100% é o ângulo de 90graus com relação ao plano horizontal), sem contar que ele fica nos 15km finais de qualquer percurso, ou seja, quando passei por ele já tinha pedalado mais de 85km, e quem fez o percurso de 250km, quando chegou ali já tinha pedalado mais de 235km!!!! Na AGR não basta chegar ao final de seu percurso, o negócio é chegar não tendo que ter descido da bicicleta pra empurrá-la em nenhum berg. Depois de ter superado o Keuteberg era comum ouvir as pessoas, todas ofegantes (mesmo as que andaram!), perguntando umas pra outras: heb jij het gehaald? (conseguiu?)... as respostas positivas eram sempre acompanhadas de bastante orgulho! Haha.
Na família da Susanne, todo mundo tem uma bicicleta de corrida... o pai a mãe e os 4 filhos. Até eu já tenho uma bicicleta, só que falta as rodas (uma velha bicicleta do irmão da Susanne que é um ciclista semi profissional). Ainda vai demorar um tempo pra eu conseguir dinheiro pra comprar um par de rodas pra poder usá-la, por isso pra treinar e durante a AGR eu usei a bicicleta de competição que o irmão da Susanne usava no ano passado, e também as roupas dele. Ou seja, quem olhasse pra mim (quando eu não estava pedalando) achava que eu era um ciclista de ótimo nível, pois usava os equipamentos de uma equipe conhecida pra quem é um pouco informado sobre ciclismo na Holanda (ciclismo aqui tem quase tanto espaço quanto o futebol). As vezes eu até me perguntava: “pra que eu preciso de tudo isso?!” Concordo que devia ser uma decepção pra maioria que passava por mim durante a prova hahaha...mas se o Rubinho Barrichelo teve uma ferrari por tantos anos por que eu não poderia usar aquele equipamento enquanto não tenho condições de comprar um par de rodas pra minha bicicleta? Hahaha. Mas nem tudo eram flores pra mim com aquela bicicleta, pois como os ciclistas de verdade andam sempre rápido e tem muita força pra subir as ladeiras, essas bicicletas não possuem as marchas mais leves, por isso sempre tinha que fazer uma força a mais pra subir. Pra subir o Keuteberg eu tive que optar por subir rápido, pois fazer MUITA força por muito tempo seria pedir pra descer da bicicleta, entãr era melhor fazer um “pouquiho” mas de força pra chegar ao topo mais rápido. Por isso passei muita gente (a maioria andava), e quem não andava, usava a marcha mais leve e assim ia bem devagar... como eu tinha que ir rápido eu ia gritando pra quem estava na frente: “Pas op!!!! Pas op!!!!” (cuidado!!!) Ik ben links!!! (estou a esquerda!!) Numa dessas eu ouvi de uma pessoa que assitia a prova ao lado da pista: “Kijk daar komt een van LOWIJK!” (Olhe, ali vem um da LOWIJK- a equipe que o irmão da Susanne competia o ano passado) hahahah...
Na noite anterior a corrida passamos de carro por uma parte do percurso que faríamos no dia seguinte, entre eles pela chegada, que ficava no final de uma ladeira de quase 1km... poxa tá certo, neste país faltam ladeiras e quando as tem é legal que elas sejam aproveitadas, mas pra que uma ladeira daquele tamanho no último quilômetro da prova?! Passar por ali de carro na noite anterior não pareceu ser das melhores idéias, pelo menos pra mim, pois não foi nada animador, haha... mas quando cheguei ali no dia seguinte depois de ter pedalado a maior distância da minha vida foi até gostoso ver aquele “berg” – o Cauberg. Eu pude entender o motivo de terem colocado uma ladeira daquele tamanho justo no final da prova. Eu fiquei alucinado quando cheguei ali, a prova toda tinha ido muito bem, estava tão cheio de vontade de chegar ao final que o Cauberg mais parecia uma ladeirazinha de meia tigela. Por alguns instantes eu achei que era o Lance Armstrong (um dos ciclistas mais famosos do mundo, que por 7 vezes consecutivas ganhou a prova de ciclismo mais importante do mundo: o Tour de France). Eu decidi que ia passar por todo mundo e não ia ser ultrapassado por ninguém durante as subida do Cauberg, afinal o Lance foi sempre o melhor nas montanhas... eram nelas que ele era sempre imbatível! Logo comecei a passar por muita gente, a família da Susanne acabou ficando pra trás... eu era mesmo o Lance, hahah... eu continuava passando por todo mundo que via na minha frente. No meio da ladeira tinha uma curva e no começo da curva, quando minhas pernas, que não são as do Lance, já estavam queimando eu vi 2 placas: uma indicando 600m e a outra 500m. Eu não pude ver as outras, pois elas ficavam escondidas atrás da curva... VERDOMEN!!!!! “Minhas pernas já estão pegando fogo e ainda faltam mais de 600m pra terminar esta ladeira!!!”. Por um momento pensei na estupidez que tinha feito em me empolgar tanto depois de tudo aquilo que tinha pedalado... mas reuni todas as minhas energias e lógico deixei de sonhar que era o Lance e de achar que poderia passar todo mundo e resolvi que poderia não passar mais ninguém e que poderia ser ultrapassado por todo mundo, mas não seria no último berg que desceria da bicicleta!!! Pra minha surpresa eu percebi, depois de fazer a curva com muita dificuldade, que as placas indicavam o final da prova e não da ladeira, já que depois da curva vi mais placas (400m; 300; 200m; 100m e a linha de chegada) mas não vi mais a ladeira que pra minha felicidade, e pra de todos que passaram por ali, acabava com a curva.
Eu nunca tinha participado de uma prova de longa distância na minha vida, nem mesmo de corrida. O percurso oficial mais longo que eu tinha feito era a prova dos 12 minutos de corrida que fazia parte do exame prático pra entrar na faculdade... no mais só corridas e passeios de bicicleta esporádicos (sem contar as últimas 4 semanas, que treinei periodicamente pra não fazer feio na frente da familia da minha namorada). Não quero dizer que era sedentário, mas sempre fui acostumado a esforços intermitentes, ou seja, sempre joguei futebol e no futebol passamos 90min correndo; andando; parado; corredo de novo; caido no chão; andando; correndo; chutando ... e correndo pro abraço! e não cerca de 05:00h sobre uma bicicleta com apenas algumas paradas pra comer, fazer um xixi, tirar uma foto... nas quais aproveitamos também pra descançar um pouquinho. Mas bem, tirando a dor na bunda que eu fiquei no dia seguinte, até que participar da AGR não foi tão difícil quanto pensei, nem mesmo o fato de não ter as marchas mais leves foi um grande problema... pra quem nunca tinha participado de evendos desta natureza, foi bem gostoso estar no meio daquela multidão de gente com um mesmo objetivo em comum... A cada quilômetro ou berg que fica pra trás, a pesar de termos menos energia e a bunda doer um pouco mais, a vontade de enfrentar o que vem pela frente fica maior... pra minha sorte minha bunda pareceu ficar anestesiada a partir do quilômetro 60 mais ou menos.
Se eu estiver por aqui no ano que vem... acho que vou querer fazer o percurso de 125km...
PS: mas depois da prova quando passou o efeito anestésico foi complicado sentar pra comer!haha
Parece que já vai virando uma tradição. Foi mais uma páscoa que passei sobre uma bicicleta (na verdade neste ano aconteceu no sábado... mas faz parte do mesmo feriado).
Grande parte da familia da Susanne, inclusive o pai e a mãe, ia participar de uma corrida de bicicleta, a “Amstel Gold Race” (AGR), no sul da Holanda, região bastante distinta da Holanda por conter morros em seu relevo. Vale destacar que a “montanha” mais alta da Holanda fica por lá, e seu pico fica a incríveis 321m do nível do mar. A AGR parece que tem a mesma tradição da Corrida de São Silvestre aí no Brasil, neste ano foram 20.000 incritos que participaram de 5 diferentes trajetos: 100km; 125km; 150km; 200km e 250km. Um dos grandes atrativos da prova é a presença dos “Bergen” (morros), alguns deles bem temidos como o Keuteberg, que tem uns 200m de extensão com uma inclinação de 22% no início e vai diminuindo até 17% no final (acho que 100% é o ângulo de 90graus com relação ao plano horizontal), sem contar que ele fica nos 15km finais de qualquer percurso, ou seja, quando passei por ele já tinha pedalado mais de 85km, e quem fez o percurso de 250km, quando chegou ali já tinha pedalado mais de 235km!!!! Na AGR não basta chegar ao final de seu percurso, o negócio é chegar não tendo que ter descido da bicicleta pra empurrá-la em nenhum berg. Depois de ter superado o Keuteberg era comum ouvir as pessoas, todas ofegantes (mesmo as que andaram!), perguntando umas pra outras: heb jij het gehaald? (conseguiu?)... as respostas positivas eram sempre acompanhadas de bastante orgulho! Haha.
Na família da Susanne, todo mundo tem uma bicicleta de corrida... o pai a mãe e os 4 filhos. Até eu já tenho uma bicicleta, só que falta as rodas (uma velha bicicleta do irmão da Susanne que é um ciclista semi profissional). Ainda vai demorar um tempo pra eu conseguir dinheiro pra comprar um par de rodas pra poder usá-la, por isso pra treinar e durante a AGR eu usei a bicicleta de competição que o irmão da Susanne usava no ano passado, e também as roupas dele. Ou seja, quem olhasse pra mim (quando eu não estava pedalando) achava que eu era um ciclista de ótimo nível, pois usava os equipamentos de uma equipe conhecida pra quem é um pouco informado sobre ciclismo na Holanda (ciclismo aqui tem quase tanto espaço quanto o futebol). As vezes eu até me perguntava: “pra que eu preciso de tudo isso?!” Concordo que devia ser uma decepção pra maioria que passava por mim durante a prova hahaha...mas se o Rubinho Barrichelo teve uma ferrari por tantos anos por que eu não poderia usar aquele equipamento enquanto não tenho condições de comprar um par de rodas pra minha bicicleta? Hahaha. Mas nem tudo eram flores pra mim com aquela bicicleta, pois como os ciclistas de verdade andam sempre rápido e tem muita força pra subir as ladeiras, essas bicicletas não possuem as marchas mais leves, por isso sempre tinha que fazer uma força a mais pra subir. Pra subir o Keuteberg eu tive que optar por subir rápido, pois fazer MUITA força por muito tempo seria pedir pra descer da bicicleta, entãr era melhor fazer um “pouquiho” mas de força pra chegar ao topo mais rápido. Por isso passei muita gente (a maioria andava), e quem não andava, usava a marcha mais leve e assim ia bem devagar... como eu tinha que ir rápido eu ia gritando pra quem estava na frente: “Pas op!!!! Pas op!!!!” (cuidado!!!) Ik ben links!!! (estou a esquerda!!) Numa dessas eu ouvi de uma pessoa que assitia a prova ao lado da pista: “Kijk daar komt een van LOWIJK!” (Olhe, ali vem um da LOWIJK- a equipe que o irmão da Susanne competia o ano passado) hahahah...
Na noite anterior a corrida passamos de carro por uma parte do percurso que faríamos no dia seguinte, entre eles pela chegada, que ficava no final de uma ladeira de quase 1km... poxa tá certo, neste país faltam ladeiras e quando as tem é legal que elas sejam aproveitadas, mas pra que uma ladeira daquele tamanho no último quilômetro da prova?! Passar por ali de carro na noite anterior não pareceu ser das melhores idéias, pelo menos pra mim, pois não foi nada animador, haha... mas quando cheguei ali no dia seguinte depois de ter pedalado a maior distância da minha vida foi até gostoso ver aquele “berg” – o Cauberg. Eu pude entender o motivo de terem colocado uma ladeira daquele tamanho justo no final da prova. Eu fiquei alucinado quando cheguei ali, a prova toda tinha ido muito bem, estava tão cheio de vontade de chegar ao final que o Cauberg mais parecia uma ladeirazinha de meia tigela. Por alguns instantes eu achei que era o Lance Armstrong (um dos ciclistas mais famosos do mundo, que por 7 vezes consecutivas ganhou a prova de ciclismo mais importante do mundo: o Tour de France). Eu decidi que ia passar por todo mundo e não ia ser ultrapassado por ninguém durante as subida do Cauberg, afinal o Lance foi sempre o melhor nas montanhas... eram nelas que ele era sempre imbatível! Logo comecei a passar por muita gente, a família da Susanne acabou ficando pra trás... eu era mesmo o Lance, hahah... eu continuava passando por todo mundo que via na minha frente. No meio da ladeira tinha uma curva e no começo da curva, quando minhas pernas, que não são as do Lance, já estavam queimando eu vi 2 placas: uma indicando 600m e a outra 500m. Eu não pude ver as outras, pois elas ficavam escondidas atrás da curva... VERDOMEN!!!!! “Minhas pernas já estão pegando fogo e ainda faltam mais de 600m pra terminar esta ladeira!!!”. Por um momento pensei na estupidez que tinha feito em me empolgar tanto depois de tudo aquilo que tinha pedalado... mas reuni todas as minhas energias e lógico deixei de sonhar que era o Lance e de achar que poderia passar todo mundo e resolvi que poderia não passar mais ninguém e que poderia ser ultrapassado por todo mundo, mas não seria no último berg que desceria da bicicleta!!! Pra minha surpresa eu percebi, depois de fazer a curva com muita dificuldade, que as placas indicavam o final da prova e não da ladeira, já que depois da curva vi mais placas (400m; 300; 200m; 100m e a linha de chegada) mas não vi mais a ladeira que pra minha felicidade, e pra de todos que passaram por ali, acabava com a curva.
Eu nunca tinha participado de uma prova de longa distância na minha vida, nem mesmo de corrida. O percurso oficial mais longo que eu tinha feito era a prova dos 12 minutos de corrida que fazia parte do exame prático pra entrar na faculdade... no mais só corridas e passeios de bicicleta esporádicos (sem contar as últimas 4 semanas, que treinei periodicamente pra não fazer feio na frente da familia da minha namorada). Não quero dizer que era sedentário, mas sempre fui acostumado a esforços intermitentes, ou seja, sempre joguei futebol e no futebol passamos 90min correndo; andando; parado; corredo de novo; caido no chão; andando; correndo; chutando ... e correndo pro abraço! e não cerca de 05:00h sobre uma bicicleta com apenas algumas paradas pra comer, fazer um xixi, tirar uma foto... nas quais aproveitamos também pra descançar um pouquinho. Mas bem, tirando a dor na bunda que eu fiquei no dia seguinte, até que participar da AGR não foi tão difícil quanto pensei, nem mesmo o fato de não ter as marchas mais leves foi um grande problema... pra quem nunca tinha participado de evendos desta natureza, foi bem gostoso estar no meio daquela multidão de gente com um mesmo objetivo em comum... A cada quilômetro ou berg que fica pra trás, a pesar de termos menos energia e a bunda doer um pouco mais, a vontade de enfrentar o que vem pela frente fica maior... pra minha sorte minha bunda pareceu ficar anestesiada a partir do quilômetro 60 mais ou menos.
Se eu estiver por aqui no ano que vem... acho que vou querer fazer o percurso de 125km...
PS: mas depois da prova quando passou o efeito anestésico foi complicado sentar pra comer!haha
Mini-encontro
São Paulo, agosto de 2005
Então é assim...
Pra mim uma das grandes mágicas do Porto foi fazer com que pessoas completamente diferentes umas das outras, fossem elas paulistas, cariocas, cearenses, pernambucanas, baianas, gaúchas, italianas, espanholas, holandesas e por aí a fora, pudessem por uma determinado período de tempo compartilhar os mesmos objetivos de vida. Isto, pra mim, fez com que nossas vidas se relacionassem de maneira muito intensa... foi assim que dividimos experiências... foi assim que nos tornamos grandes cúmplices de uma mesma aventura.
Hoje em dia, passados mais de dois anos, todos voltaram a cultivar e seus próprios objetivos (objetivos que pelo menos no meu caso são completamente diferentes daqueles que eu tinha antes de desembarcar em Portugal), o rumo de nossas vidas, como antes de nos conhecermos no Porto, voltou a se separar. Felizmente a magia daquele ano ainda vive em todos.
Sábado a tarde e lá estava eu, sentado em baixo do MASP, com mais de hora pro horário combinado. Muitas coisas passavam em minha cabeça, muitos encontros que tivemos no Porto voltaram a minha memória, eu ria sozinho.
Coisa bastante estranha nestas horas de reencontro é que o tempo dá um salto... As despedidas pereciam ter sido “ontem”! De repente meus amigos foram chegando... Léo, Caquinha, Kemilis, Dê, Luiz... que loucura!!! Estes encontros aconteciam na rua da Maternidade, na Ribeira, na Cordoaria, na Dom Pedro V e pelo Porto afora, mas naquele dia estávamos ali, na Avenida Paulista!
Como um bom encontro paulistano, ele foi se desenrolar acompanhado de vários goles de cerveja (e alguns de guaraná) num barzinho qualquer...
- Alô.
- Oi Lu, aqui quem fala é o Felipe.
- Hum?!
- O Felipe... o Fê... lá do Porto. Estou sentado aqui na Rua Augusta com o pessoal do Porto. Vem pra cá !
- O que? Como é que é? Onde? Quem ta aí?
Algum tempo depois a Lu se juntava a nós e começamos a rodada do “1 minuto”. Fizemos uma brincadeira, em que todos teriam um tempo (que nem de longe foi 1 minuto) pra falar sobre o que aconteceu desde a chegada ao Brasil e sobre os planos pro futuro.
A conversa foi deliciosa. Muitas risadas de histórias conhecidas, surpresas por outras até então desconhecidas... O tempo passou rápido. Mais uma despedida que chegava... Todos pegaram novamente seus caminhos. Foram fazer suas provas. Entrar na correria do dia a dia, correria esta que por uma tarde tinha cessado, tinha dado lugar aquele reencontro.
No dia seguinte me encontrei ainda com a Caquinha. Fomos passear pelo centro de São Paulo. Aprendi mais um pouco de arquitetura, contei muitas histórias, matei mais um pouco de saudade de uma grande amiga.
Na despedida ficou um “até qualquer dia”... Quando este dia vai ser não faço a menor idéia... Se demorar bastante pra acontecer não vai ser tão mal assim, afinal pior será se este dia não chegar. E mesmo que demore, tenho certeza que como num passe de mágica, vai ser como se “tudo tivesse ocorrido ontem”.
Então é assim...
Pra mim uma das grandes mágicas do Porto foi fazer com que pessoas completamente diferentes umas das outras, fossem elas paulistas, cariocas, cearenses, pernambucanas, baianas, gaúchas, italianas, espanholas, holandesas e por aí a fora, pudessem por uma determinado período de tempo compartilhar os mesmos objetivos de vida. Isto, pra mim, fez com que nossas vidas se relacionassem de maneira muito intensa... foi assim que dividimos experiências... foi assim que nos tornamos grandes cúmplices de uma mesma aventura.
Hoje em dia, passados mais de dois anos, todos voltaram a cultivar e seus próprios objetivos (objetivos que pelo menos no meu caso são completamente diferentes daqueles que eu tinha antes de desembarcar em Portugal), o rumo de nossas vidas, como antes de nos conhecermos no Porto, voltou a se separar. Felizmente a magia daquele ano ainda vive em todos.
Sábado a tarde e lá estava eu, sentado em baixo do MASP, com mais de hora pro horário combinado. Muitas coisas passavam em minha cabeça, muitos encontros que tivemos no Porto voltaram a minha memória, eu ria sozinho.
Coisa bastante estranha nestas horas de reencontro é que o tempo dá um salto... As despedidas pereciam ter sido “ontem”! De repente meus amigos foram chegando... Léo, Caquinha, Kemilis, Dê, Luiz... que loucura!!! Estes encontros aconteciam na rua da Maternidade, na Ribeira, na Cordoaria, na Dom Pedro V e pelo Porto afora, mas naquele dia estávamos ali, na Avenida Paulista!
Como um bom encontro paulistano, ele foi se desenrolar acompanhado de vários goles de cerveja (e alguns de guaraná) num barzinho qualquer...
- Alô.
- Oi Lu, aqui quem fala é o Felipe.
- Hum?!
- O Felipe... o Fê... lá do Porto. Estou sentado aqui na Rua Augusta com o pessoal do Porto. Vem pra cá !
- O que? Como é que é? Onde? Quem ta aí?
Algum tempo depois a Lu se juntava a nós e começamos a rodada do “1 minuto”. Fizemos uma brincadeira, em que todos teriam um tempo (que nem de longe foi 1 minuto) pra falar sobre o que aconteceu desde a chegada ao Brasil e sobre os planos pro futuro.
A conversa foi deliciosa. Muitas risadas de histórias conhecidas, surpresas por outras até então desconhecidas... O tempo passou rápido. Mais uma despedida que chegava... Todos pegaram novamente seus caminhos. Foram fazer suas provas. Entrar na correria do dia a dia, correria esta que por uma tarde tinha cessado, tinha dado lugar aquele reencontro.
No dia seguinte me encontrei ainda com a Caquinha. Fomos passear pelo centro de São Paulo. Aprendi mais um pouco de arquitetura, contei muitas histórias, matei mais um pouco de saudade de uma grande amiga.
Na despedida ficou um “até qualquer dia”... Quando este dia vai ser não faço a menor idéia... Se demorar bastante pra acontecer não vai ser tão mal assim, afinal pior será se este dia não chegar. E mesmo que demore, tenho certeza que como num passe de mágica, vai ser como se “tudo tivesse ocorrido ontem”.
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