Nesta vida não tenho muitas conquistas materiais, porém as histórias são diversas. Quem eu seria sem minhas histórias? Não seria eu.

Mostrando postagens com marcador Noruega. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Noruega. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de julho de 2008

Na Terra dos Trolls


Quando eu ouvia falar da Noruega eu só conseguia pensar em duas coisas: Vikings e frio
Não foi a minha primeira passagem por lá, mas desta vez vi mais, senti mais, pude enfim conhecer melhor o país, numa época na qual ele não está coberto de branco e a noite não existe.
Aproveitando que meus pais estavam por estes lados fomos todos visitar o Daniel. Ficamos 10 dias, dos quais 5 viajando e 5 onde o meu irmão mora, e onde já estive, Trondheim.
Chegando por lá já pude encontrar uma cidade completamente diferente da visitada meses atrás. Temperatura uns 30 graus mais elevada e ruas lotadas. A neve encanta, mais também esconde. As vezes me sentia num outro lugar.
Como foi engraçado ter este encontro familiar por àquelas bandas... se alguém algum dia imaginou que minha família pudesse cair no mundo, não acredito que este alguém chegou assim tão longe a ponto de nos ver na escandinávia. E detalhe, procurando uma sombrinha, devido ao calor.
Viajar é sempre muito bom, nos mostra coisas novas, quebra paradigmas (na Noruega até o leite vendido no supermercado é estatal, afinal, que outro tipo de empresa pensaria em pagar um preço justo pra manter o nível de vida dos pequenos fazendeiros... enfim, uma visita a escandinávia poderia ser bem positiva pra uns bicudos que conheço). Estes 10 dias me fizeram voltar pra casa completamente enlouquecido com a paisagem natural vista por lá. A Terra dos Vikings, onde os Vikings parecem ter dado lugar ao Trolls (pelo menos por onde passamos), nunca esteve em minha lista de principais destinos, mas hoje é um dos “tops” de meus lugares visitados.
Demos um rolê bacana por lá, por estradas pequeninas que fazem lembrar muito bem o trecho de serra da Osvaldo Cruz (Taubaté-Ubatuba). Viajar por lá não condiz com estar com pressa. Além das seguidas curvas em 180 graus as inúmeras balsas fazem com que a gente chegue ao nosso destino bem devagar, com tempo suficiente pra aproveitar a viagem.
Nós descemos a partir de Trondheim sentido sudeste... nesta direção, as montanhas arredondadas, que se parecem com as das nossas Minas, vão ficando cada vez mais altas e pontudas. Por serem altas,mesmo no verão seus cumes continuam nevados. Porém derretendo. A água escorre por todos os lados e, muitas vezes, direto pros fiordes em cachoeiras gigantescas. Perdi a conta das cachoeiras da fumaça ou dos véus de noiva de centenas de metros vistos por lá. Quando a água não consegue escorrer, fica represada no alto das montanhas em lagos de água bem azul, que parecem nos ficar convidado pra um banhinho.

A paisagem deste pedaço da Noruega que visitamos é surreal. Esta mistura de montanha, neve, cachoeiras, lagos e mar é uma coisa rara... e por isso, se algum dia alguém quiser um conselho meu quando estiver vindo pra estes lados direi: vá a Terra dos Vikings, pegue a Estrada do Trolls e chegue até Geiranger. Inesquecível!


PS: detalhe, o calor norueguês era tamanho que as águas cristalinas dos fiordes conseguiram convencer mais da metade da família a se aventurar. Tudo doeu... mas valeu o banho nas águas de Janaína.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Pai e Mãe




Minha casa nunca foi tão grande... minha casa é pequenina, de um tamanho perfeito pra duas pessoas começarem a vida. Minha casa ficou gigante, ela cresceu pra acomodar aqui meu pai e minha mãe. Passamos um mês delicioso. Rapidinho, passei a ter a sensação que meus pais pertenciam ao meu cotidiano. Era muito normal tê-los por aqui, parecia que sempre foi assim... era uma normalidade perfeita.
Viajamos pra ver meu irmão. Família Mota reunida na Noruega... coisa inimaginável a tempos atrás... coisa real hoje em dia... coisa inesquecível viajar por meio de fiordes, montanhas e cachoeiras, nesta incrível Noruega, num carro cheio de gente de família.
Receber visitas por aqui sempre é muito bom. Espero continuar a recebê-las por muito tempo. Já tinha recebido todo o tipo de gente: amigos das antigas meio distantes nos últimos tempos; amigos dos amigos; ex- cunhada; novos amigos; amigos das antigas que continuam amigos e família. Mas pai e mãe é diferente. Esta passagem deles juntos por aqui era das coisas que eu mais desejava desde de minha vinda. Finalmente eles vieram e conferiram juntos como andam as coisas. Felizmente eles não "me viram chorando e nem vão precisar mentir, 'pros da pesada', que eu vou levando..."
Hoje meus pais já foram embora, estão novamente onde eles pertencem... minha casa continua grande, mas agora de uma maneira diferente.
É um grande mais vazio... mais vazio de gente, mas cheio de lembranças.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Trondheim


Seria um sonho... sair do trabalho lá em São José, a cerca de 80 km do litoral, passar em casa, largar umas coisas, pegar outras e ir de encontro e ele, nem que fosse pra dar uma espiada, sentir a maresia ou receber uns bons fluídos de Janaína... Parece loucura...

A última era glacial abriu várias feridas no território da Noruega. O gelo que ia se derretendo e se escorregando em direção ao oceano rasgou várias partes do país. Pra fechar estas feriadas o mar se encarregou de seguir interior a dentro, criando os fiordes. Por isso, viver lá, a cerca de 80km do litoral pode não significar viver longe de uma praia. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem até Maomé.
Como quase nada pode ser perfeito, a temperatura da água nas regiões escandinávias não é convidativa a um banhinho de mar depois do trabalho, ou em qualquer hora do dia... mas valem a maresia e o visual.

Eu desembarquei em Trondheim na quinta a noite. Fui visitar meu irmão, aproveitando o fato de não trabalhar às sextas e de que, por aqui, depois do domingo de Páscoa há o feriado do segundo dia de Páscoa. O Daniel, depois de alguns períodos de vai e vem, está vivendo na Noruega desde de fevereiro.
Era a primeira noite de primavera mas ruas e calçadas ainda estavam cobertas de gelo. Foi muito bom ver meu irmão em sua nova casa, ver que ele está tocando a vida bem e feliz.
Nos três primeiros dias fomos pra montanhas, eu pra esquiar e ele fazendo snowboard. Como era engraçado olhar pro meu lado, na verdade na maioria das vezes tinha que olhar pra frente, pois o Daniel tá mandando muito bem e por isso eu acabava ficando pra trás... mas bem, era engraçado nos ver ali e ao mesmo tempo me lembrar de quando éramos crianças e corríamos juntos nas ruas perto de casa. Os mesmos pés que ganharam juntos os primeiros pares de chuteiras, passaram o dia todo gastando uma bola num campinho atrás de casa e imaginando que elas eram as maiores conquistas existentes no mundo, deslizavam hoje, novamente juntos, montanhas geladas em Vassfjellet.
Esquiar é uma ato familiar, as crianças ainda nem bem conseguem caminhar e já estão acompanhadas dos pais e as vezes dos avós calçadas num par de esquis. É bacana ver como as pessoas aproveitam o inverno juntas. Muitas famílias subiam os elevadores com uma mochila bem grande e no meio da descida paravam num canto qualquer, abriam um cobertor sobre a neve e aproveitavam ali o dia de sol. Como se estivessem numa parque qualquer. Churrasqueiras portáteis queimavam adoidado...

Por vezes eu cheguei a me imaginar em Minas Gerais, pra onde olhava via morros, era ladeira pra tudo o quanto é lado. Pra chegar à casa do Daniel tinha que subir... pra sair, descer. Viver por lá é um constante exercício de tonificação muscular das pernas e bunda. Mas diferente de Minas os morros não eram verdes da cor dos nossos pastos, mas branquinhos... e em vez da variedade de árvores do que restou de nossas florestas e uma grande predominância de pinheiros.

Eu nunca tinha visto o encontro do mar com montanhas cobertas de neve... impressiona. Eu não sabia que patos gostavam de água salgada! Fiquei ainda mais tentado a conhecer outros cantos da Noruega com montanhas ainda mais altas a beira dos fiordes.
Aproveitando as ótimas condições do clima no feriado. Com máximas de cerca de - 2 graus fomos fazer um churrasquinho na beira do mar. Pode parecer mentira, mas mesmo com tanto frio, num dia de Sol e sem vento é possível até pra dois irmão brasileiros aproveitar o dia ao ar livre. As salsichas assadas ficaram deliciosas, o refri estava sempre geladinho... era difícil querer ir embora.

Foram muito bons meus dias por lá. Vi mais uma vez como nós podemos viver e aproveitar a vida em condições bem diferentes das que normalmente conhecemos, condições que pra muitos seriam inaceitáveis. Voltei pra casa feliz. Feliz por ter conhecido mais um pedacinho deste mundo e, principalmente, por ter estado lá com meu irmão. Como já falei, foi bom ter visto que ele vai levando tudo numa boa, que ele está batalhando e conquistando seus objetivos.