Nesta vida não tenho muitas conquistas materiais, porém as histórias são diversas. Quem eu seria sem minhas histórias? Não seria eu.
sexta-feira, 30 de maio de 2025
Meer dan een spelletje
terça-feira, 24 de outubro de 2023
Minha querida Raffy
terça-feira, 23 de março de 2021
Ao tio Vitor
quarta-feira, 17 de março de 2021
Esconde-esconde
A gente estava no Veluwe. Passeando com a família. Tínhamos levado os walktie talkies que Mamãe tinha dado ao Gael, em nome do Sinterklaas.
As crianças andavam mais a frente, perto da Mamãe... fui me esconder e fiquei dando dicas pelo walkie talkie. Até que as crianças me acharam. A Mamãe foi se esconder também. Ela escolheu um lugar bacana. E de lá mandou dicas pras crianças a acharem.
Logo depois o Gael falou.
- quero me esconder!
Aí respondi:
- vai lá!
A mamãe me olhou e disse:
- como assim? a gente não pode deixar ele ir se esconder sozinho no bosque.
- Su... fique tranquila. Ele vai se esconder no mesmo lugar que você acabou de se esconder. Ele vai ficar pertinho da gente.
- Como você sabe? - perguntou a Mamãe.
- Eu conheço meu filho...
E lá se ia, o Gael, se esconder atrás da mesma árvore escolhida pela Mamãe.
sábado, 6 de fevereiro de 2021
A mamãe tinha ido passar um final de semana fora. Ficamos os três em casa. Dormimos juntos lá em baixo. Eu no meio de vocês dois.
Acordei feliz. Tinha passado vários dias pensando sobre como as coisas andavam bem aqui em casa. E mesmo com todos os contratempos desta pandemia, achava que nossa vida é simplesmente muito boa. Vocês são simplemente muito bacanas. Decidi que ao acordar ia falar pra vocês como estava feliz e como é gostoso ser papai de vocês...
Abri meu coração... Gael, você ouviu o que eu disse e falou:
- Papai, você têm falado bastante coisas assim.
- A é? quer que eu fale menos?
Você e sua irmã olharam um pro outro e depois pra mim:
- Nããããããããooooooooo!
O esquecedor
Eu tinho ido te pegar ao final de sua aula de ginástica olímpica.. você saiu feliz. Te perguntei como tinha sido a aula.
Você me olhou e falou:
- Não sei papai.
- Como assim não sabe? Sua aula acabou de terminar.
- Ah... não sei mais. Sou um bom esquecedor.
- A é? Você não se esqueceu o nome do papai né?
- Hum...
- Qual o nome do papai?
- Esqueci!
terça-feira, 24 de setembro de 2019
Irmãos
Vocês se deitaram, cad
a um do seu lado, casa um com seu edredom. A mamãe tinha colocado vcs pra dormir, mas vc disse logo que ela saiu que vc não conseguia dormir aquela noite. Logo eu desci. Você chorava, quase que desesperada. Estava imaginando a guerra.
O final de semana tinha sido dedicada à guerra, com comemorações da batalha de Arnhem por toda a cidade. Na manhã tínhamos ido ao cemitério de guerra pra relembrar os soldados que lutaram aquela batalha perdida que deveria libertar nossa cidade e depois acabar com a guerra o mais rápido possível.
Eu te abracei, mas nada te fazia se acalmar. Você tinha medo, e não queria que eu me levantasse. Eu te falei: " você não está sozinha. Seu irmão está aqui com você".
Ele se aproximou... encostou o rosto dele no seu, vocês respiravam o mesmo ar... ele começou analisar seus cabelos. Vocês fecharam os olhos e dormiram assim...
Quem chorou agora foi eu...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Vó

Volta Redonda, Janeiro de 2012
- Vó, eu estou indo embora.
- Mas você já vai meu filho? Fica mais um pouquinho!
- Não dá vó... tenho que ir.
- Então vai com Deus meu filho. Eu vou rezar por você.
- Obrigado vó. A Senhora fica com Deus também.
- Não vou ficar não meu filho. Eu já estou indo embora também.
- Pra onde vó?
- É... eu estou indo. Já estou muito velha, né?
- Mas quando a senhora for, vai ser bom ter a senhora lá em cima olhando e rezando pela gente.
- É, mas aí eu vou ter que levar um binóculos, né.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
AI - 2012
Chegando lá, como tinha alguns livros em mente, prefiri fazer um pedido à procurá-los nas prateleiras.
- Estes aqui eu vou ter pro senhor. Agora este eu vou ficar devendo.
- Por que? Está vendendo muito?
- Não, não. Este não temos mesmo.
- Como assim?
- É... não temos este. E não podemos entregá-lo nem por encomenda.
- Por quê não?
- É que o dono da livraria se recusa a vender este livro por aqui.
- ???? - não sabia o que dizer
- Espere um pouco que vou buscar os outros livros pro senhor.
Fui embora sem qualquer dos livros que queria comprar.
Impossível pra mim comprar qualquer coisa por lá. O lugar onde conheci, pessoalmente, a censura .
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Percatas...
De lá, sempre ria com meu tio Hélio, irmão de minha avó que com ela vivia.
Ele, sempre munido de seu par de havaianas, "as legítimas" segundo Chico Anísio, andava pra cima e pra baixo. Em casa seu grande amigo era seu rádio, quase sempre ligado à Canção Nova:
- "Magão"... cê pode consertá meu rádio?
Bastava meu pai da uma mexidinha aqui, outra ali, que o problema já estava resolvido.
- "Magão"... "Magão"... óia as percata nova que eu ganhei.
Cheio de orgulho com suas percatas novas, uns sapatinhos de lona com solado de corda, ele caminhava pra missa no domingo seguinte.
Há algumas semanas andava por Barcelona. Já tinha visto muito da cidade. Decidimos então andar a toa, devagar, sem rumo. Tomamos tempo pra olhar pras pessoas, pras vitrines, pros detalhes.
- Fe!! Venha aqui... estes sapatos ficariam bem legais pra você!
Do alto de minhas havaianas olho pra'queles sapatos... eu ri sem parar!
Meu tio Hélio, na verdade, estava muito a frente de seu tempo. Suas havaianas tinha mudado um pouco, já não eram mais as legítimas: brancas com as tiras e as laterais azuis. Mas hoje em dia são queridas por pessoas de todos os lugares onde já estive.
E suas percatas, não mais fabricadas pelas Alpargatas, viraram produto de moda em Barcelona e em Amsterdam.
Acabei nem as comprando... mas acho que ainda este verão, feito meu tio Hélio, caminharei por aí, sobre cordas, num domingo qualquer.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Chuva

Eu precisava justificar minha ausência nas ultimas eleições. Com meus documentos todos em mão estou eu na fila do cartório eleitoral em São José.
Na minha frente um rapaz. Parecia ser da minha idade. Um senhor mais velho o escoltava naquela fila. Seu jeito tão introvertido meio que chamou minha atenção.
- Próximo!
- Eu preciso tirar um novo título de eleitor.
- Por que, o senhor perdeu o seu título antigo?
Todo ano é a mesma coisa... desde a muito tempo me lembro de acompanhar o contraste entre as festas de fim de ano e a tristeza dos que perdem tudo com nossas chuvas de verão.
Quase todos nós, brasileiros, vemos por estes dias, entre um churrasco e outro, o drama alheio pela TV.
Felizmente, pra grande maioria, o próximo banho de mar, ou gole de cerveja sempre vem pra levar qualquer sentimento ruim provocado por tais imagens. Estamos por um lado bem perto de muitos dramas, mas ao mesmo tempo nos sentimos bem longe deles.
- É eu perdi sim. Eu moro lá no Rio Comprido. A chuva veio, levou a minha casa e tudo que estava nela - E ele continuou: "inclusive minha mulher, e minhas duas filhas mais novas..."
Nunca tinha sentido tanto as chuvas de verão como naquele instante...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Mudanças
Eu era pequeno, tinha sete anos, mas me lembro bem de minha mãe entrando em casa: "a fila vai começar".Acompanhada de várias vizinhas lá se foi ela pra porta da escola. A fila na verdade ainda não tinha começado... elas foram as primeiras. Eu era um dos primeiros. Depois de quatro dias de revezamento, entre mãe, pai, tios, tias e vizinhos meu lugar foi garantido. Lá era assim... ou nossa família passava várias noites na fila pra estudar na Palmyra, escola da prefeitura, ou corríamos o risco de ter que ir pra Ana Candida, escola do estado, onde a maioria dos pais não queria ver seus filhos.
Dar uma voltas com ele já foi até desejo de criança... de certa maneira foi ele que me introduziu a São Paulo. A primeira vez que estive por lá sozinho foi ele que me levou ao meu destino. Nele sempre me senti seguro, respeitado. Enquanto por lá vivi, ele fez parte de minha vida. De poucas coisas os paulistanos se orgulhavam tanto: "o nosso é o melhor do mundo!"
Em todo o tempo que vivi em São Paulo convivi com aquelas obras. Não me lembro de por lá passar sem ver trabalhadores no meio daquele mar de lama. Estranho como a gente se acostuma com estas coisas. Como pode ser normal aceitarmos viver ao lado daquele esgoto, sempre parados no trânsito. Felizmente o trabalho daqueles homens e daquelas máquinas traria algo de positivo praquela cidade.
Pais que queriam uma educação boa pros seus filhos, e não tinham dinheiro pra uma escola particular, encaravam aquela fila. A chance de ver os filhos longe da escola do estado valia qualquer esforço. Hoje, mais de 25 anos depois, imagio que meus pais passariam semanas naquela fila. Com professores na família sei que a qualidade da nossa educação estudal não melhorou muito. Lá, naquela época, era difícil de se repetir... hoje impossível não passar de ano.
Ao sair por aí começei a questionar como ele poderia ser o melhor do mundo, ainda mais com uma tarifa tão elevada. Ignorar que ele cresceu alguns quilômetros seria incoerência, mas compreender como uma cidade tão grande e tão rica tenha um metrô daquele tamanho, hoje em dia tão lotado e que entra em colapso por causa de uma blusa é impossível.
Depois de viver por um ano ao lado de outro rio, percebi o quanto deplorável são aquelas águas. Depois de viver alguns anos abaixo do nível do mar me entristece a falta de controle daquelas enchentes. Me entristece ainda mais saber que um governo investe tanto pra uma marginal sem enchentes, como tanto foi prometido naqueles anos que por lá estive, enquanto seu sucessor volta a se esquecer dequeles rios, jogando tudo o que foi feito pelo ralo.
De longe não compreendo como pode um partido ficar tanto tempo no poder sem quase nada fazer para oferecer a São Paulo o que São Paulo precisa.
De longe eu me espanto o povo paulista se acostumar com a desgraça... e por consequência, mesmo depois de 16 anos seguidos de um mesmo governo, não exigir mudanças.
sábado, 28 de agosto de 2010
Um alô
A Susanne as vezes se espanta por eu quanse nunca tentar fazer contato com meus conterrâneos por aqui.É comum ouvir o português brasileiro pelas ruas. Na grande maioria das vezes me contendo em apenas ouvir um pouquinho. Sei lá... acho que sou aqui a mesma pessoa que sempre fui. Quando vivia no Brasil não saía pela rua falando com todo mundo que cruzasse meu caminho.
Com as chuvas que estão caindo por aqui, deixei minha bicicleta no trabalho e peguei o metrô pra ir a uma reunião. Sentado, vejo alguém se aproximar e, com um gesto, pedir pra se sentar ao meu lado.
Dando passagem eu disse: "só porque eu gostei de sua camisa" - em português. Ele vestia uma camisa do São Paulo.
Era perto do meio dia, já estava pensando no meu almoço. A resposta, na forma de pergunta, veio lenta:
- Você é brasileiro? - O cheiro da cachaça veio forte
- Sou sim.
- Eu ti vi lá na estação RAI, com sua namorada! - nem me lembro a última vez que peguei um metro com a Susanne
- Acho que você está me confundindo - ele, mesmo lentamente, não parou mais de falar. Dava pra ficar bêbado pelo cheiro. Me lembrei de um "outro encontro"
...
- Eu conheço todo mundo aqui. Dou conselhos. Se os caras querem passar umas férias no Brasil, eu até ajudo. Já vivo aqui há muito tempo. Sei de tudo...
- Bom chegou minha estação. Vou indo. Um abraço.
- Falô meu! Meu nome é Vini... quando encontrar alguém por aí, manda um alô!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tempo e espaço

Umas das coisas que mais me frustrava, ao começar minha vida por aqui, era o fato de quase nunca encontrar conhecidos por aí... e quando eventualmente os encontrava era um encontro meio sem história.
Aquelas coisas de, por acaso, rever um amigo e com ele se lembrar do passado, tinham ficado pra trás.
Felizmente o tempo vai passando, as amizades aumentando e a história se constrói. Porém, mesmo sendo esta uma história muito bacana, a saudade daquele passado e daqueles que fizeram parte dele continua.
Mas, outro dia, quase como mágica... encontro alguns amigos. A conversa era gostosa, porém... mais pausada que o normal. No meio dela, outras caras foram aparecendo, o papo foi se alongando, de um jeito que ele parecia não acabar mais.
As pérolas rolavam...
- a da professora toda sargentona pega vendo pornografia num laboratório da faculdade.
- a do maluco que se esqueceu de por a sunga e foi nadar na hora do almoço.
- a dos três manés em Avaré, que emprestaram ocarro de um amigo, enxeram ele de mulher, não botaram cinto e acabram sozinhos no hospital, pois um deles ficou com um pé todo ralado depois que a porta do carona se abriu numa curva.
- as das lavagens do corredor e de seus acidentados, que uma vez por ano invadiam de sunguinha o hospital universitário da USP
- as das corridas pelado
- as dos orgulhosos barangueiros...
Na verdade esta conversa ainda não acabou... a cada dia alguém se lembra de algo mais.
Difícil deveria ser se empreitar por aí nos tempos em que nosso mundo era bem menor... quando não haviam coisas como um facebook... que trouxe velhos conhecidos a uma mesma conversa, mesmo que o tempo e o espaço nos impeçam de se encontrar.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Ordens
Mesmo não tendo escrito texto algum já faz um tempinho, volta e meia, ainda recebo email de leitores do site, com perguntas, pedidos de ajuda/estágio, elogios. Mesmo não trabalhando mais diretamente com treinamento é bom saber que algumas de minhas idéias são aproveitadas por aí... raramente dou alguma resposta.
assunto: treinamento em futebol
Felipe,
sou universitário em XXXXX, e gostaria que vc pudesse responder a duas perguntas em meu trabalho:Pela primeira vez tinha recebido ordens...
1) Crie 02 treinamentos básicos no futebol.
R:
2) Crie 02 treinamentos Especificos no Futebol.
R:
abraço
XXXXXXX
segunda-feira, 12 de julho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Mais que um jogo

Quando vivi em Portugal, uma família patrícia me acolheu como se dela eu fizesse parte... mas fora daquela casa, não havia o quê me fizesse sentir fazer parte daquilo tudo, sendo um igual no meio deles. Talvez fosse eu mesmo que me via como uma diferente.
Já faz mais de três anos que por aqui estou... meu esforço pra aprender o idioma e entender este país valeram muito a pena. Não me lembro de um momento em que me sinta uma carta fora do baralho. Como já disse um amigo: "pra mim você é um holandês que fala meio diferente".
Era final da EUFA Cup... Porto x Celtic, da Escócia. Muitos amigos, internacionais e brasileiros, iriam assistir ao jogo juntos. Decidi sair sozinho. Da avenida dos Aliados gritávamos todos: Puuuoooorrrtooo!! Não se importaram de onde vinha, acho se quer repararam em meu sotaque. Não os achei desconfiados... Fiz mais contato com eles por ali, naqueles 90 minutos, do que no resto do tempo que fiquei por lá.
O convite foi feito: "o jogo começa as 20.30h... traga sua bebida e seja bem vindo, desde que você não torça pros de vermelho!!" Vários amigos apareceram e, como combinado, a torcida foi pro Brasil... houve porém diversão com o sufoco alheio, ainda mais sendo a Corea do Norte a pressionar um penta campeão! Apesar da amizade, uma tal rivalidade aparecia, principalmente entre os boleiros holandeses e o brasileiro. O nosso futebol ainda faz muito sucesso por aí, mas tenho certeza que não seriam apenas os argentinos a sorrir com nossa derrota... "se a gente for hexa vocês vão ter que me aturar!!!!"
Que poder tem este jogo: um dia nos faz iguais... no outro, transforma os amigos em grandes rivais.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Gritos

Os pedais giravam rápidos... estávamos já quase em casa.
Em meio a gritos meio sem sentido... Help!!!!Help!!!!
Com a noite escura, só as distinguimos dos marrecos devido aos gritos de desespero. Duas cabeças lutavam pra não se afundar no meio daquele canal
Nossas bicicletas e nossos casacos ficaram pela grama...
"Eu não aguento mais!!!!" De cima de um dos barcos alcançamos aqueles dois... um terceiro par de mãos apareceu pra nos dar uma força.
"Você está bem?!" Os olhos estalados, como aos do Munch, me diziam muito apesar da falta de resposta.
As sirenes gritáram por todos os lados... bombeiros, polícia e ambulâncias.
"A polícia tá vindo?!" - ele queria fugir... mas sem forças ficou sentado.
O silêncio dela se quebrou: "tem gente na água!!!! tem gente na água!!!!" sendo que ela mesma já estava em terra.
Não cruzássemos aquela ponte... teriam dado muito trabalho aqueles dois
No meio daquela zona... saímos de fininho.
Com pés molhados seguimos nosso caminho.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Senhor bandeira...

Aqui cada time leva um bandeira... o deles tinha acabado de anular um gol meu. Nada de complicado: num rebote do goleiro eu botei pra dentro. Mas ele estava lá, com bem mais de trinta em cada perna, levantando seu objeto de trabalho. Não seria minha glória, mas seria o 2x2.
Alguns minutos depois fui substituído... parei perto do alambrado pra conversar com amigo, que tinha saído antes de mim.
Sua resposta confirmou o que eu já sabia: não estava impedido!
Dois senhores, provavelmente com a mesma idade do bandeira, se divertiam com o meu lamento.
- senhores, eu estava impedido ou não?
Enquanto um balançava negativamente a cabeça o outro disse:
- você não estava impedido... mas só por bem pouquinho - em seguida uma longa risada.
- poxa... mesmo com este tanto de gente boa aí o bandera de vocês ainda dá uma ajudinha?!?!
- pois é, tá vendo aquele aí, o número 5. É meu filho, já jogou no Ajax e no Barcelona...
Algum tempo depois um deles me pergunta:
- você por acaso é belga?
- não senhor.
- de onde você vem então? Não reconheço o seu sotaque.
- se o bandeira dos senhores não tivesse anulado o meu gol eu teria comemorado assim... imetei a comemoração do Bebeto contra a Holanda em 94.
- hahaha... você é brasileiro! As pessoas aqui não esquecem do Bebeto.
- pois saiba que eu joguei contra o Pelé. Aqui no estádio olímpico de Amsterdam. E nós ganhamos de 1x0! - todo orgulhoso.
- e eu apitei aquele jogo - disse o outro.
- ah... e senhor deveria ter um bandeira com este - o bandeira acabava de cruzar a nossa frente.
- eles riam...
- bandeira! estes senhores aqui estão me dizendo que o senhor se equivocou quando anulou o meu gol.
- os dois continuava rindo...
Ele parou, olhou pra'queles dois e disse:
- estes aí... estes dois... eles não sabem de nada!
A risada foi geral...
terça-feira, 6 de abril de 2010
A minha glória
Logo ao cruzar a linha da grande área, um pouco a esquerda da meia lua, vejo um companheiro livre perto da marca do penalty.
Ele grita quase desesperado: Passa a bola Felipe!!!!
A chuva caia forte, o campo todo elameado... o tempo meio que parou:
- Acabei de deixar meu marcador no chão. Ainda mais ele, que há muitos anos quase me faz agonizar. E enquanto eu quase agonizava, vocês todos pulavam de alegria! Se tem alguém que vai fazer este gol, esse alguém sou eu!"
A noite era fria. A multidão se esqueceu de São João e se enfiou naquele galpão velho pra torcer pra um baixinho. Com meus 14 anos sofri feito um coitado, ainda mais quando ele - que agora ainda tenta se levantar - marcou aquele gol... Em hipótese alguma, eu passaria aquela bola.
Pro desespero de meu colega, ele viu um chute sair cruzado... Seria a minha glória!
Felizmente, tínhamos o Branco, e ele fez daquela noite fria uma grande festa... Infelizmente, não sou melhor do que sou e a minha bola não foi pra onde eu queria...
Pra ser sincero, não me importo muito em ter perdido aquele gol, ou mesmo que nós tenhamos perdido com um gol no finalzinho... a lembrança do Aron Winter caído no chão e o prazer em enfrentar aqueles que, até outro dia, jogavam em outros campos (Barcelona, Inter de Milão, Lazio, Bordeaux, Ajax, entre outros) vale mais que qualquer coisa.






