eusouminhashistorias

Nesta vida não tenho muitas conquistas materiais, porém as histórias são diversas. Quem eu seria sem minhas histórias? Não seria eu.

sábado, 6 de fevereiro de 2021


 

A mamãe tinha ido passar um final de semana fora. Ficamos os três em casa. Dormimos juntos lá em baixo. Eu no meio de vocês dois.
Acordei feliz. Tinha passado vários dias pensando sobre como as coisas andavam bem aqui em casa. E mesmo com todos os contratempos desta pandemia, achava que nossa vida é simplesmente muito boa. Vocês são simplemente muito bacanas. Decidi que ao acordar ia falar pra vocês como estava feliz e como é gostoso ser papai de vocês...

Abri meu coração... Gael, você ouviu o que eu disse e falou:

- Papai, você têm falado bastante coisas assim.

- A é? quer que eu fale menos? 

Você e sua irmã olharam um pro outro e depois pra mim: 

- Nããããããããooooooooo!


O esquecedor

 

Eu tinho ido te pegar ao final de sua aula de ginástica olímpica.. você saiu feliz. Te perguntei como tinha sido a aula.

Você me olhou e falou: 

- Não sei papai.

- Como assim não sabe? Sua aula acabou de terminar. 

- Ah... não sei mais. Sou um bom esquecedor.

- A é? Você não se esqueceu o nome do papai né?

- Hum... 

- Qual o nome do papai?

- Esqueci!

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Irmãos




Você e seu irmão tinham pedido pra dormir juntos, no colchão grande que ainda estava no chão.
Vocês se deitaram, cad
a um do seu lado, casa um com seu edredom. A mamãe tinha colocado vcs pra dormir, mas vc disse logo que ela saiu que vc não conseguia dormir aquela noite. Logo eu desci. Você chorava, quase que desesperada. Estava imaginando a guerra.
O final de semana tinha sido dedicada à guerra, com comemorações da batalha de Arnhem por toda a cidade. Na manhã tínhamos ido ao cemitério de guerra pra relembrar os soldados que lutaram aquela batalha perdida que deveria libertar nossa cidade e depois acabar com a guerra o mais rápido possível.
Eu te abracei, mas nada te fazia se acalmar. Você tinha medo, e não queria que eu me levantasse. Eu te falei: " você não está sozinha. Seu irmão está aqui com você".
Ele se aproximou... encostou o rosto dele no seu, vocês respiravam o mesmo ar... ele começou analisar seus cabelos. Vocês fecharam os olhos e dormiram assim...
Quem chorou agora foi eu...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Volta Redonda, Janeiro de 2012

- Vó, eu estou indo embora.
- Mas você já vai meu filho? Fica mais um pouquinho!
- Não dá vó... tenho que ir.
- Então vai com Deus meu filho. Eu vou rezar por você.
- Obrigado vó. A Senhora fica com Deus também.
- Não vou ficar não meu filho. Eu já estou indo embora também.
- Pra onde vó?
- É... eu estou indo. Já estou muito velha, né?
- Mas quando a senhora for, vai ser bom ter a senhora lá em cima olhando e rezando pela gente.
- É, mas aí eu vou ter que levar um binóculos, né.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

AI - 2012

Estes dias fui a uma livraria de um shoppping em São José... queria comprar uns livros, pra poder ler, em português, durante o ano.

Chegando lá, como tinha alguns livros em mente, prefiri fazer um pedido à procurá-los nas prateleiras.

- Estes aqui eu vou ter pro senhor. Agora este eu vou ficar devendo.
- Por que? Está vendendo muito?
- Não, não. Este não temos mesmo.
- Como assim?
- É... não temos este. E não podemos entregá-lo nem por encomenda.
- Por quê não?
- É que o dono da livraria se recusa a vender este livro por aqui.
- ???? - não sabia o que dizer
- Espere um pouco que vou buscar os outros livros pro senhor.

Fui embora sem qualquer dos livros que queria comprar.

Impossível pra mim comprar qualquer coisa por lá. O lugar onde conheci, pessoalmente, a censura .

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Percatas...

Quando criança ia muito pra casa de meus avós... principalmente dos avós maternos, em Lorena.
De lá, sempre ria com meu tio Hélio, irmão de minha avó que com ela vivia.
Ele, sempre munido de seu par de havaianas, "as legítimas" segundo Chico Anísio, andava pra cima e pra baixo. Em casa seu grande amigo era seu rádio, quase sempre ligado à Canção Nova:

- "Magão"... cê pode consertá meu rádio?

Bastava meu pai da uma mexidinha aqui, outra ali, que o problema já estava resolvido.

- "Magão"... "Magão"... óia as percata nova que eu ganhei.

Cheio de orgulho com suas percatas novas, uns sapatinhos de lona com solado de corda, ele caminhava pra missa no domingo seguinte.

Há algumas semanas andava por Barcelona. Já tinha visto muito da cidade. Decidimos então andar a toa, devagar, sem rumo. Tomamos tempo pra olhar pras pessoas, pras vitrines, pros detalhes.

- Fe!! Venha aqui... estes sapatos ficariam bem legais pra você!

Do alto de minhas havaianas olho pra'queles sapatos... eu ri sem parar!

Meu tio Hélio, na verdade, estava muito a frente de seu tempo. Suas havaianas tinha mudado um pouco, já não eram mais as legítimas: brancas com as tiras e as laterais azuis. Mas hoje em dia são queridas por pessoas de todos os lugares onde já estive.
E suas percatas, não mais fabricadas pelas Alpargatas, viraram produto de moda em Barcelona e em Amsterdam.

Acabei nem as comprando... mas acho que ainda este verão, feito meu tio Hélio, caminharei por aí, sobre cordas, num domingo qualquer.